Pesquisa desenvolvida no CCTA resulta em patente para inovação na indústria de alimentos
Uma pesquisa desenvolvida com participação do Centro de Ciências e Tecnologia Agroalimentar (CCTA) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) acaba de alcançar um importante resultado: o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a patente de invenção referente a um processo de obtenção de corante natural a partir do fruto da Eugenia gracillima Kiaersk., espécie pertencente à família Myrtaceae. A patente foi inicialmente depositada em 24 de novembro de 2021 e a carta patente foi expedida pelo INPI em 11 de agosto de 2026.
A propriedade intelectual tem como titulares a Associação dos/as Agricultores/Familiares da Serra dos Paus Dóias (Agrodóia-PE), a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
Entre os inventores estão Bruno Fonsêca Feitosa, Mônica Correia Gonçalves e Mônica Tejo Cavalcanti (ex-professoras do CCTA/UFCG), Vilmar Luiz Lermen, Iasnaia Maria de Carvalho Tavares e Emanuel Neto Alves de Oliveira.
Uma pesquisa construída em parceria com agricultores.
A história da tecnologia começou em 2021, a partir do projeto “Ações de transferência de conhecimentos em uma agroindústria familiar situada na Serra dos Paus Dóias, Exu-PE”, desenvolvido no âmbito da Unidade Acadêmica de Tecnologia de Alimentos (UATA), do CCTA/UFCG.
A iniciativa aproximou universidade e agricultores e abriu espaço para a identificação de novas possibilidades de aproveitamento de recursos naturais presentes na região. Foi nesse contexto que surgiu a pesquisa envolvendo a E. gracillima Kiaersk, conhecida popularmente como murta.
Mais do que um trabalho desenvolvido exclusivamente dentro da universidade, a pesquisa nasceu da relação com agricultores e da busca por alternativas de aproveitamento e valorização de uma matéria-prima regional.
Da casca à obtenção do corante.
Um ponto importante da pesquisa é a parte do fruto utilizada no processo protegido pela patente. O trabalho que deu origem à patente teve como foco a obtenção do corante natural a partir das cascas do fruto da Eugenia gracillima.
A tecnologia representa uma possibilidade de agregar valor a uma matéria-prima regional, transformando um recurso natural em um produto com potencial de aplicação em diferentes setores. Na época do depósito, o potencial do corante foi relacionado às indústrias de alimentos, farmacêutica, cosmética e têxtil.
A concessão da patente pelo INPI representa o reconhecimento da propriedade intelectual relacionada ao processo desenvolvido pelos pesquisadores.
Engenharia de Alimentos transformando pesquisa em inovação
A trajetória da E. gracillima Kiaersk também mostra, na prática, como a Engenharia de Alimentos pode contribuir para transformar recursos naturais em soluções tecnológicas.
O trabalho envolve etapas que fazem parte da formação e da atuação do profissional da área, como o aproveitamento de matérias-primas, o desenvolvimento e a avaliação de processos, a obtenção de ingredientes e o estudo de suas possibilidades de aplicação em alimentos.
Nesse caso, a participação de um estudante de Engenharia de Alimentos desde as etapas iniciais da pesquisa até o desenvolvimento de uma tecnologia que chegou à proteção por patente evidencia a importância da integração entre ensino, pesquisa, inovação e extensão.
A experiência também reforça o papel da universidade na aproximação com agricultores e comunidades produtoras, na valorização de matérias-primas regionais e na busca por alternativas que possam gerar novos usos e oportunidades para esses recursos.
No CCTA/UFCG, a Engenharia de Alimentos prepara profissionais para atuar na indústria, na pesquisa, no empreendedorismo, no desenvolvimento de novos produtos e em diferentes segmentos da cadeia de alimentos.
Fonte: ASCOM-CCTA
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